segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Diaconisas


... quem eram?

Em síntese: São Paulo e antigos documentos da Igreja referem-se a diaconisas. Eram mulheres de conduta irrepreensível chamadas a participar dos serviços que a Igreja prestava a pessoas do sexo feminino, principalmente por ocasião do Batismo (ministrado por imersão). Recebiam o seu ministério pela imposição das mãos do Bispo, que não conferia caráter sacramental. – Com a rarefação do Batismo de adultos, foi-se extinguindo a figura da diaconisa na Igreja a partir do século VI.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A visão de Anuar-El


Era a visão do maior pesadelo de Anuar-El. No salão principal, sentada em sua cadeira, estava Tiamat em sua forma  humana vestida como se fosse uma rainha do Grande Círculo. Logo abaixo aos pés dos degraus de onde ela havia se apossado, com as mãos amarradas nas costas estavam Luxfero, o próprio Anuar-El, Mestre Jeikan.
- Aqui está milady, esta  é a líder dos últimos guerreiros, o que faço com ela Tiamat?
- Ora! Então a ultima líder era a poderosa Athalie-El primeira em comando do poderoso Dahlia Anuar-El, siga suas ordens minha Dahlia negra. Mate todos. Hoje será o fim do Grande Círculo.
Athalie estava sem forças, os dias consecutivos de luta colocaram a prova todas as suas habilidades,  ela se superou. Mestre Jeikan, ali jogado ao chão com as mãos amarradas para trás, com certeza teria orgulho da guerreira que ele havia treinado.  Anuar-El ali ao lado do Mestre na mesma condição, também teria orgulho da segunda em comando que ele mesmo nomeou.
- Como quiser minha mãe. É o fim Athalie.
Com uma ferocidade animal a Dahlia negra puxou os longos cabelos negros de Athalie para trás, com um olhar frio nos olhos a Dahlia negra cortou com uma adaga o pescoço de Athalie. Ela esperou até o ultimo sopro de vida abandonar o corpo e a jogou no chão. Os longos cabelos negros esconderam o rosto de Athalie, mas em segundos uma poça de sangue começou a se formar ao redor do corpo.
- Quem é o próximo? É só dizer. Disse a Dahlia com o olhar sedento por sangue.
- Venha traidora! Gritou Anuar-El ,tomado pela cólera, venha traidora.
- Traidora? Você me deixou morrer.  Se não fosse Bernikê capturar minha essência para que eu renascesse através da esfera Graussaf, eu teria voltado a ser apenas mais uma energia pulsante no cosmos.
-Você é uma vergonha! A começar por essas assas de penas negras.  Nosso destino é esse, você era uma Dahlia. Temos uma missão e ela jamais inclui nos aliarmos ao mal.
-Cale-se cão alado, ou eu não esperarei a ordem para matá-lo. Disse a Dahlia negra chutando Anuar-El no rosto.
-Calma minha filha, a hora deles está prestes acontecer. Quem vem ai?
-Somos nós milady, Baal e Nemo.
-Aproximem-se o que trazem nos ombros? Quem são essas criaturas?
Então os dois aproximaram-se da luz e desceram duas figuras, ambas com as mãos amarradas para trás. A diferença residia na figura que Baal trouxera que possuía assas de morcego iguais as de Luxfero.  Enquanto que a figura que Nemo  trazia aos ombros possuí asas brancas como todos os Dahlias do Grande Círculo.
-Capturamos como nós havia ordenado as duas trapaceiras. Eu Baal trago a Dahlia Demorah aquela que se fez passar por uma Dahlia do Grande Círculo.
Dizendo isso ele a empurrou a frente até que a luz iluminasse seu rosto.
-Eu Nemo trago Gwenlyan-El  a Dahlia que trocou de lugar com Demorah para que fossemos privados da semente divina na linhagem dos Graussafs.
 Nemo fez a mesma coisa e empurrou Gwelyan-El que acabou ficando lado a lado de Demorah. Com as mãos amarradas para trás, foram colocadas à frente dos três que estavam amarrados no chão. Olhares foram trocados entre Demorah e Luxfero, Gwelyan-El e Anuar-El.
-Estou sentindo falta dos outros líderes. Onde estão Semyr, Gumyn,Kalad,Gunys, Radissa, Dargantin ou Garall? Perguntou Tiamat.
-Mortos! Não imaginei que um simples Tarriano fosse páreo para os Dahlias. Respondeu a Dhalia Negra.
-Oracle D´Khors não é um simples mortal. Há algo nele que o faz ser diferente de todos os outros guerreiros. Respondeu Tiamat.
-E agora mãe?
-Mostre a elas o prêmio por tentarem me enganar.
-Assim será.
Com um único golpe de sua espada a Dahlia negra decepou a cabeça das duas. O sangue que jorrou respingou nos três que estavam no chão os corpos tombaram a frente deles. Ela foi e pegou as cabeças e colocou ao lado do que agora era o trono de Tiamat. Ela se levantou e pediu a espada da Dahlia negra esta prontamente a entregou as mãos de Tiamat. 
- Por ela vivemos, por ela morremos, coloque- os de joelhos filha. Enquanto isso descia os degraus, cortando o ar com a espada, ela começou a falar com os três últimos prisioneiros.
- Desde a aurora dos tempos vocês vêm atrapalhando a minha existência. Marmaduk, você, Luxfero. Poderia ter se dado por vencido, mas não! Tinha que ter declarado guerra, tentar tomar Wasteland de volta. Poderia ter terminado ali, mas você tinha que se meter no meu plano de roubar a Dahlia. Mas suas interferências acabam aqui.
Com um golpe na cabeça ela partiu a cabeça de Luxfero. Com a força do golpe a lâmina quase partiu o corpo ao meio. Apoiando o pé no ombro dele ela puxou a lâmina jogando o corpo para trás.
- Você Jeikan, por suas mãos e sua liderança milhões foram exilados de Wasteland, mas não haverá uma segunda vez. Com um golpe ela enfiou a espada no abdômen dele, ao tirar a lâmina, antes mesmo que a energia vital dele expirasse, com um giro ela decepou a cabeça de Jeikan. Seu corpo tombou sem vida por sobre o de Luxfero. A Dahlia Negra juntou a cabeça e a colocou perto do corpo.
- Finalmente chegou a sua vez Lorde Anuar-El. Sua conspiração com Luxfero levou Wasteland, o inferno e o Grande Círculo a uma guerra que não puderam vencer. Você realmente achou que iria ficar por isso mesmo? Que o tratado de paz daria garantia que vocês não tentariam invadir Wasteland de novo?
Anuar-El apenas a seguia com os olhos enquanto ela andava de um lado para o outro cortando o ar com a espada. Não havia mais nada a dizer da parte dele.
- Seu silêncio é por demais revelador Lorde Dahlia.
Anuar-El continuou em silêncio.
- Vamos acabar logo com isso, pois tenho coisas mais importantes a fazer do que perder tempo com um líder derrotado. Derrotado e condenado a um destino pior que a morte. Conhece esta espada?
- Sim Tiamat, ela é a Decaia Amal. Todos aqueles que são mortos por ela tem sua essência capturada para dentro da joia incrustada em  sua cruzeta.
- Muito bem! Mas antes que eu capture sua essência e a transforme na mais poderosa arma do universo quero que você presencie o nascimento de uma nova era.  Onde está você Feiticeira?!
Então de uma das entradas laterais surge alguém que jamais Anuar-El imaginaria servir a Timat.
- Estou aqui minha senhora.
- Aproxime-se Circe. Você está pronta?
- Certamente. Respondeu prontamente.
Tiamat aproximou-se por detrás de Anuar-El que olhava Circe desenhando no chão a sua volta símbolos Com o sangue de Luxfero, Jeikan e Athalie. ele deduziu fazerem parte de algum feitiço. Tiamat aproximou-se dos ouvidos dele e sussurrou.
- Wasterland, Inferno e Grande Círculo irão se fundir em um só reino. Este seu templo será graças ao feitiço de Circe o ponto de intersecção entre as três dimensões e posteriormente o universo dos homens também. Eu Tiamat criarei o verdadeiro Paradesha e governarei a tudo e a todos.
- A todos não. Eu estarei fora do seu alcance, prefiro a eternidade preso na Decaia a ser súdito de uma criatura asquerosa como você, uma impostora que se passa por uma divindade, quando na realidade é apenas uma relês demônio fêmea. Cedo ou tarde você irá cair, já foi previsto o Senhor das Estrelas irá tomar para si este universo moribundo.
As palavras dele foram piores do que uma estocada com uma espada de fogo. Ela levantou-se trazendo no seu semblante todo o ódio contido em seu ser. De pé, ela fitou Anuar-El de joelhos por alguns segundos, em seguida ela desferiu o golpe que cortou Amuar-El em dois.
- Morra! Seja escravo por toda a eternidade dentro da Decaia. Seu olhar tinha um misto de prazer e vingança ensandecida que durou por alguns segundos até ela se recompor. Seus olhos voltaram a cor normal um violeta, que antes eram vermelhos como sangue.
-Circe! Por que a demora?! Perguntou.
- Há algo errado aqui não consigo estabilizar o tempo para completar o feitiço. Preciso que o tempo e o espaço trabalhem em harmonia, mas algo está deixando o tempo instável.
- O que acontece com o tempo? Perguntou Tiamat irritada.
- Eu consigo controlar o passado e o presente, mas o futuro está nublado como se não estivesse definido. E isso não está permitindo que eu termine o feitiço. Alguém esta interferindo de alguma maneira, tornando o futuro indefinido.
- Resolva isso! Ache a solução! Vociferou Tiamat.
- Alguém está nos espiando! Disse Circe.
-Quem? Perguntou Tiamat irritada.
-Não consigo definir, mas é alguém capaz de fazer um feitiço tão poderoso quanto o meu. Porém sei como desfazer.
Nos símbolos desenhados no chão havia um que correspondia ao tempo. Circe ficou em pé em cima do símbolo e agachou-se colocando as mãos sobre o desenho. À medida que ela ia sussurrando um feitiço o desenho no chão ia mudando de cor tornando-se cada vez mais energizado. Ao chegar ao máximo, Circe puxou toda a energia para suas mãos e ficou de pé. Ela lançou a energia em todas as direções, ao mesmo tempo em que lançava um feitiço.
- Desfazio Avios Conductor!
Passados alguns segundos, Circe sentiu o feitiço totalmente dissipado. Ela olhou para Tiamat, Karín a Dahlia Negra, Baal e Nemo que a olhavam atentamente e disse.
-Vou terminar o que comecei...
Estas foram as ultimas palavras que Anuar-El conseguiu ouvir antes que a visão se desvanece por completo e o espelho explodisse lançando seus cacos de encontro a uma barreira invisível criada por Circe para protegê-la desses contrafeitiços.



terça-feira, 6 de novembro de 2012

Espelho das Visões.


Eles desceram as escadas e no nível abaixo havia um corredor. Na primeira porta a esquerda, uma porta de duas folhas ela abriu uma e os dois entraram assim que ele entrou ela fechou a porta. Era uma sala ampla com vários objetos ao quais Anuar-El nem desconfiava a utilidade nas mágicas que Circe praticava. Em um dos cantos da sala havia uma mesa com duas cadeiras de encosto alto, bem antigas, como também devia ser a mesa e o jogo de xadrez. O jogo tinha suas peças diferentes eram pequenas figuras. As peças pretas eram representações de demônios e bestas, algumas pareceram até familiares para ele. As brancas eram guerreiros sendo o Rei um ser alado semelhante a um Dahlia, porém sem rosto. Ao fundo e em boa parte das paredes havia muitos livros. Alguns objetos que apesar de não conhecê-los com certeza ele sabia que deveriam ser objetos para as magias de Circe.
-Vamos começar Anuar-El?
-Sim não vamos perder tempo então.
-Aproxime-se.
Então na parede leste do cômodo, coberto por um pano preto, estava o espelho das visões. Circe o descobriu e como já era o ápice da a aurora, começou a fazer a invocação.
“Espelho do luar,
Espelho de vidro,
Permita-me ver
O que vai acontecer,
Remova o véu
Diante de mim.
É o que desejo,
Assim seja!”
Na quarta vez que ela repetiu a invocação o espelho deixou de ser um espelho e começou a refletir imagens. Como se estivesse em transe ela tateou a mão de Anuar-El e o mandou olhar para o espelho, pois a visão agora estava compartilhada com ele.

O Nome das Palavras.



- Estamos no que há muito tempo era meu templo a ilha de Eana. Hoje nos dias atuais Eana não é mais uma ilha e sim o que se chama de promontório, uma cabo que avança mais a dentro. A sua volta foi criado um Parque Nacional, uma área de preservação ambiental. Pois bem, Hoje Eana se chama Monte Circeo. Uma homenagem a minha pessoa, fazendo uma reverência com a cabeça e depois levantando a taça de metal como sinal de um brinde. Porém eu mantive intacto em outra dimensão tudo isso que você vê aqui. No mundo real só existe ruínas desse templo. Para que eu possa transitar entre as duas dimensões, eu uso como você viu um portal no tumulo do George Mackensie. Por ser no cemitério há muita energia ali. 
- E como você faz aquele feitiço? Que palavras são aquelas? Perguntou interessado.
- Por que todo esse interesse? Está querendo se candidatar a ser meu aprendiz?
- Não, rindo, é que me lembrou de um feitiço antigo, que certa pessoa fez uma vez.
- Bom não gosto de me lembrar daquilo. Péssimo momento para mim.
- Desculpe então Circe.
- Tudo bem meu Dahlia.
Ela fez uma pausa, tomou mais um gole e se fez silêncio por alguns minutos, mas logo foi substituído pelo seu largo sorriso, marca registrada de Circe.
-Pois bem. As palavras têm poder. Mas não as palavras com suas adaptações e corruptelas. Digo ao nome original das coisas. Tudo teve seu primeiro nome desde a criação. São essas palavras originais a chamada língua da magia.
- Entendo “Kirkê”. Exemplificou.
- Isso mesmo! Sua primeira lição está completa aprendiz. Riu enquanto tomava o último gole.
-Obrigado Circe, mas não levo jeito para isso.
- Bom vamos para a minha sala de magia, lá fica meu espelho. Venha apresse-se! Antes que a aurora passe.
Anuar-El a seguiu rumo a outra porta do quarto. Ela colocou a mão na maçaneta e se deteve por alguns segundos, virou-se e olhou nos olhos dele, sua fisionomia estava alterada. O jeito alegre deu lugar a uma seriedade que Anuar-El conhecia.
-Você tem certeza do que está me pedindo para fazer? Está ciente que a partir do momento que interferir nos acontecimentos para que eles não ocorram, passa a ser “sua” responsabilidade as consequências das mudanças que você vai fazer.
- Quem disse que eu vou mudar alguma coisa?
- Eu te conheço meu Dahlia, para você estar aqui me pedindo isso, você apenas quer ter certeza onde na linha temporal você irá alterar.
- Talvez eu não precise...
- É talvez não. Já entendi sua resposta. Venha.