sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Eana.

Ao entrar ele percebeu que não estava mais em Edimburgo, muito menos dentro do tumulo de George Mackenzie. O Feitiço usado por ela criava um portal diretamente para outro lugar.
Era um quarto com uma cama antiga, lareira, tapeçarias e quadros.
-Onde estamos?
-No meu templo na ilha de Eana. Respondeu prontamente.
-Mas pelo que eu sei  a ilha não existe mais. Onde estamos de verdade Circe. Ou melhor, como saímos de um tumulo em Edimburgo e agora estamos aqui?
- Espere, vou me trocar e já explico tudo a você. Fiquei a vontade, sente-se ali no banco perto da lareira.
Ela se dirigiu até a cama e pegou um vestido previamente deixado sobre a cama e foi para trás de um biombo. Enquanto ela tirava as roupas, Anuare-El sentou –se no banco de costas para lareira acesa e começou a olhar o quarto a sua volta. A cama antiga com seu dossel de veludo verde, a madeira escura deveria ser de faia. O quarto ainda tinha nas paredes dois quadros de J.W. Waterhouse de1891 intitulado Circe oferecendo e o outro  de 1911 a Feiticeira. As paredes eram revestidas de madeira vermelha parecida com mogno. O chão tinha tapetes ao redor da cama e o chão era de mármore. Atrás dele a lareira acesa mantinha o quarto aquecido. Ao sair detrás do biombo ele se espantou com sua beleza. Agora os cabelos negros estavam soltos e ela vestia uma túnica bem fina e transparente sobre seu corpo nu. Ela estava descalça e trazia como ornamento apenas uma pulseira de ouro no antebraço. Não havia praticamente mudado nada nesses últimos séculos. Com um sorriso nos lábios ela veio pegou uma taça e a encheu com o que deduziu  ser vinho de uma jarra que estava em uma mesa perto do banco onde Anuare-El havia se sentado. Ela foi sentou-se em sua cama com as pernas cruzadas como na posição de lótus. Ela deu um gole e começou a explicar.

O Tumulo de George Mackenzie

Então os dois saíram e foram caminhando rumo ao cemitério.  A noite estava fria, Circe fechou seu casaco e deu o braço para Anuare-El. Ao passar por uma vitrine da loja de molduras e vidros na candlemaker row ele viu o reflexo dos dois de braços dados, ele nesse momento pensou na existência humana tão desprovida de um senso de universalidade. Tão preocupados apenas com sua existência sem se preocupar com o mundo em que vivem ou com a guerra diária entre as forças do cosmo para manter o equilíbrio entre o bem e o mal.
- Você está muito calado. Minha companhia está agradando meu Lorde? Sorrindo.
-Muito milady, mais do quê você imagina.
-Hahahaha, o pior é que eu sei o quanto.
 Circe foi descendo a rua candlemaker row, refazendo na realidade o mesmo caminho que Anuare-El fez. Logo estavam em frente ao Greyfriars Bob´s  Bar. Entre o Bar a Loja de artigos de arte havia um portão que dava acesso ao cemitério, mas aquela hora da madrugada já estava fechado. Anuarel-El já olhava para os lados preparando-se para desfazer o encanto da runa e alçar voo por cima dos portões, quando ela perguntou:
- O que foi? Por que está olhando para os lados?
- Vou desfazer o encanto e voamos por cima do portão.
-Calma! Não precisa. Eu tenho a chave.
- Como assim?
-É claro, já te disse, sou cliente antiga da Maggie. Então nem tudo eu faço com magia meu caro. Esta lição eu aprendi graças a você.
Enquanto falava ela tirou uma chave do bolso da jaqueta e abriu o portão. Os dois entraram e ela fechou novamente o portão.
- Venha é por aqui. Ela disse puxando-o para  uma outra direção.
Eles andaram alguns minutos por dentro do cemitério que estava iluminado pela luz do luar. Anuare-El ficou espantado pela quantidade de espectros que ainda vagavam pelo cemitério. Almas que não encontraram o descanso eterno. Alguns o viam com desconfiança pois seu disfarce só servia para o mundo dos vivos. Sua asas deixavam alguns espectros incomodados. Circe por sua vez andava por entre eles como quem estivesse numa festa entre amigos. Cumprimentava a todos que passem por ela como uma velha amiga. A caminhada cemitério dentro tinha chegado aonde ela queria.
- Um tumulo? Não entendi.
-Este tumulo redondo e negro pertence a George Mackenzie.
- E o que você pretende aqui? Indagou confuso.
-Ir para casa.Disse ela enigmaticamente.
Ela destrancou a porta do tumulo, mas não a abriu, ao invés disso com a ponta do dedo indicador fez um desenho na porta e recitou o encanto:
- Aperire camminu habilare Kirkê!
Quando ela abriu  a porta podia-se ver um aposento iluminado de relance, ela entrou e como ele não seguiu ela perguntou:
- Então? Vai ficar ai ou vai entrar?

Whisky

Era só subir a rua e em poucos minutos ele já estava no Pub. Maggie Dickson era um pub tradicional, e ainda nos dia de hoje mantinha uma atmosfera dos velhos tempos. Assim que chegou não foi difícil localizar Circe. Ela já havia trocado a roupa cerimonial por calças jeans justas, boas de cano alto e uma blusa decotada. A jaqueta ela havia deixado nas costas da cadeira.
- Achei que tinha esquecido onde ficava o Pub? Brincou ela.
- Não. E mesmo que quisesse eu te acharia facilmente pela aura que você está emanando.
-Ela está tão irradiante assim?
-Sem dúvida alguma. Pelo visto estas cerimônias de adoração têm feito muito bem a você. Sua aura está tão forte como nos velhos tempos.
- Cavalheiro você não? Me chamando de velha. Sorrindo. Sim está havendo uma volta as tradições antigas. Muitas pessoas que tem sua sensibilidade apurada tem percebido que por mais poderosa que Gaia tenha sido , ela já não está tão forte como antes. Os rituais wicca que são os que posso falar com propriedade (dando uma piscada), têm gerado de certa forma um retorno dessa energia.
- Até entendo este conceito, mas as cerimônias são dirigidas a você e não a Gaia.
-Mas até os deuses fazem sua cerimônias, parte de toda essa energia eu a divido, ou melhor devolvo a Gaia.
Nesse momento o garçom aproximou-se.
- Boa noite, o senhor deseja algo para beber?
-O que você está bebendo Circe?
-Não! Você não pode. Isso é bebida de homem, riu Circe. William traga uma Guiness escura para o meu convidado.
- Sim senhora. E afastou-se.
- A última coisa que eu quero é estragar minha noite com um Dahlia bêbado aprontando alguma das suas destruições.
-Você está exagerando.
-Pode ser, mais não quero me arriscar, sou cliente daqui a muito tempo.
-Desde a fundação. Relembrou Anuare-El.
-Verdade. Fui uma das primeiras clientes. Como os tempos mudaram...
-Não podemos nos apegar ao saudosismo Circe.
Então os dois ficaram em silêncio e naquela fração de segundos, grande parte da História da humanidade passou pela mente dos dois. Inclusive os eventos que quase levaram Circe a ser banida para o mundo dos mortais. Então ele tentou desviar o assunto.
-Achei que você só tomasse Hidromel.
Circe soltou uma gargalhada que chamou a atenção das mesas ao redor, já os clientes antigos não estranharam, pois conheciam a personalidade alegre e descompromissada dela.
- Passei muitos séculos tomando aquilo, ainda bem que inventaram a cerveja e o whisky. Um brinde ao inventor do whisky! Levantou o copo em brinde.
Prontamente seu brinde foi retribuído pelos clientes do Pub. Anuare-El deu um sorriso enquanto o garçom servia sua cerveja. No restante da noite os dois conversaram assuntos os mais triviais possíveis. Possíveis entre uma deusa secular e um Dahlia milenar. Circe não precisava ser Feiticeira para perceber que por mais que Anuare-El estivesse se divertindo, o motivo que o trouxera a procurá-la estava ali, na sua impaciência velada. Conhecendo o Lorde dos Dahlias o assunto que o trouxer ali era sério.
- Bom Anuare-El, essa conversa empoeirada sobre o passado me entediou. E como sei que você não está aqui para isso, seja você mesmo. Direto e reto. Qual o favor que você precisa que eu lhe faça?
- Preciso que você me deixe olhar uma determinada linha temporal. Disse ele diretamente.
- Bom você não muda mesmo. Um grande favor não acha? Indagou Circe
- Sim tenho ciência disso.  Se não fosse importante eu não pediria, tenha certeza disso.
-Não posso fazer isso.
-Por que Circe?
-É um favor muito grande e perigoso. De graça não faço.
-Pois bem Circe. O que você quer em troca?
Ela olhou com um sorriso todo especial. Tinha percebido que seja lá o que Anuare-El queria ver, era de suma importância para o Grande Círculo.
-Tudo há seu tempo Anuare-El. Vamos sair daqui. Will a conta.
Nesse instante Anuare-El percebeu que não tinha dinheiro da daquela época. Ele olhou com uma cara de vergonha para Circe que achou engraçada no Lorde do Grande Círculo.
-Não se preocupe você é meu convidado. Na próxima vez você me convida e paga.
-Assim será. Confirmou.

Disfarce.

Anuare-El afastou-se e alçou voo.  Ele procurou um outro ponto mais afastado dentro da floresta e aterrissou. Ali ele cravou no solo seu escudo e sua espada, pois não poderia ocultá-los, os tempos eram outros, não se andava mais com espadas e escudos como antigamente sem ser notado. Por mais que ele gostasse de poder resolver a questão o mais rápido possível ele saiba que negociar com Circe requeria muita diplomacia, por detrás da aparência de deusa se escondia uma feiticeira geniosa que precisava se sentir bajulada para que se conseguisse sua cooperação.  Novamente ele alçou voo, a viagem não demorou muito e em poucos minutos ele estava aterrissando no Cemitério Greyfriars.  Ele olhou a sua volta e contemplou as manifestações daqueles que haviam morrido a muito tempo e que ainda vagavam sem esmo pelo cemitério. Porém em relação aos vivos não havia ninguém no cemitério.  Ele ficou totalmente visível neste plano. Ele teria que agir rápido antes que alguém o visse, do cinto ele tirou uma runa da transformação denominada Dagaz fechou aos mãos com a runa dentro como se estivesse rezando, mas na realidade ele estava invocando o poder da runa.  Ao terminar sua aparência havia mudado e quem o olhasse apenas veria um homem comum. Feito isso ele dirigiu-se para o encontro marcado. 

Um favor.

- Como quiser “Circe”. Preciso de um favor seu.
Nesse momento Circe lembrou da última vez que havia feito um favor a Anuare-El e de como quase havia sido expulsa do Olimpo por quebrar uma regra básica entre os deuses: meter-se em assuntos que não pertenciam a seu panteão. Mas antes que pudesse dizer alguma coisa ele parecendo ler seus pensamentos disse:
- Este favor não irá colocar em risco sua herança olimpiana Circe. Não voltaria a arriscar você novamente.
-Obrigado, fico feliz em saber disso, caso contrário, iria mudar meu templo do Monte Circeo para o Grande Circulo.
Nesse momento ele expressou algo próximo a um sorriso o quê para quem o conhecia era algo extraordinário.
- Não posso ter essa conversa com você aqui nesse momento Anuare-El, pois esta é uma cerimônia de iniciação, preciso estar totalmente concentrada para que eu faça as energias fluírem de maneira harmoniosa.
- Compreendo, quando poderemos conversar Circe?
- Me encontre dentro de uma hora no  Maggie Dickson´s Pub. Ainda lembra como chegar lá?
- Sim no Grassmarket...
- Exato! Nos encontraremos lá então.

sábado, 20 de outubro de 2012

"I Walk With the Goddess"

imagem da internet
Imagem da internet.
"...Sua busca o levou a uma pequena clareira no meio de uma floresta. No meio dela havia uma formação rochosa um alinhamento de rochas megalíticas e no cento deste templo havia uma chama e ao redor dela havia treze mulheres totalmente nuas ajoelhadas com seus braços estendidos em direção a chama.  Ao fundo perto do que seria um pórtico havia uma mulher vestida com uma túnica branca com capuz, mas este não lhe cobria o rosto, revelando a beleza e suavidade nas feições daquela que entoava um cântico dirigido a deusa.
“Eu ando com a deusa
 A deusa ela anda comigo
 Ela é as nuvens no claro céu azul
 Ela é a terra debaixo dos meus pés
 Ela é os oceanos e a chuva que cai
 Ela é a luz que ilumina meu caminho.”
Aquela era sem dúvida a sacerdotisa que conduzia aquele ritual. Confortavelmente, na medida do possível, sentada em uma pedra que pertencia ao conjunto de rochas, havia uma outra mulher que estava invisível para todas as demais. Ela estava usando uma túnica branca parecida com a da sacerdotisa, sem capuz. Seu cabelo era muito negro e brilhante e como era muito comprido ela usava um diadema provavelmente ornado com diamantes e confeccionado por um exímio artesão, devido a complexidade da jóia, seu brilho era ofuscante. Aparentemente os séculos não haviam passado para ela, sua beleza sedutora estava intacta, exatamente como ele a tinha visto na primeira vez. Outra coisa que não havia mudado também era sua presença nos rituais que a invocavam pedindo a presença e as bençãos da deusa. 
Invisível também, ele contornou a formação de rochas e se aproximou dela. Quando ele se revelou aos olhos dela ela o recebeu com um sorriso amigável, mas também havia uma interrogação em se olhar gerada pela sua presença ali.
- Lorde Anuare-El! que surpresa, o que o traz até este humilde ritual pagão de adoração a  deusa?
- Como vai Kirkê? faz muito tempo que não nos encontramos.
- Ah! por favor Anuare-El não me chame por este nome arcaico, prefiro o atual: Circe.

Visões do Futuro

"Uma grande preocupação tomava conta da mente  de Anuar-El.  Desde o rapto de uma Dahlia do grande círculo pela entidade Thomorgraussaf, querendo a semente da divindade contida nela para que pudesse introduzir na linhagem dos Graussafs, através de seu descendente Baal e compartilha-la com a humanidade através de Ghorm, Ele não se sentiu mais seguro no grande círculo. Mesmo tendo elaborado um plano em conjunto com Luxfero, para substituir a Dahlia por uma copia infernal isso não era garantia de acabar com essa prática.  Ele precisava de alguma forma acabar com  Thomorgraussaf, mas ele não sabia como pois a antiga entidade outrora chamada Tiamat possuía um poder que dificilmente o grande círculo ou o inferno seriam capaz de destruir.
Decidido a tomar para si todo o peso da decisão do problema, ele comunicou a sua irmã de casta Athalie que iria se ausentar do grande círculo por algumas horas e que ela ficasse atenta a  tudo. Então rompendo as barreiras dimensionais ele se lançou rumo ao mundo dos homens, pois as respostas que ele precisava só poderiam ser encontradas lá. Assim que entrou na nossa dimensão ele ficou acima das nuvens, pairando como uma ave de rapina, só que ao invés de garras ele trazia sua espada e seu escudo, companheiros inseparáveis. Era uma sensação única aquela que ele experimentava ali sobre as nuvens pairando de olhos fechados com suas asas abertas ao vento. Ele captava, sentia a essência de todos os seres vivos que habitavam o lar de Gaia a grande mãe. Alguns minutos se passaram e ele captou a essência muito antiga que pertencia a pessoa que ele procurava. Então como uma ave de rapina ele mergulhou rumo ao encontro..."

terça-feira, 9 de outubro de 2012

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Um pouco mais sobre Sparks.

Quando a Bruxa Bernikê tentou criar um poderoso avatar para destruir o Reino de Kashinskara, ela pegou a esfera dos Graussafs que lhe havia sido confiada a guarda pelo poderoso Thomorgraussaf, e onde residia parte da chama do poder da entidade e a usou para com sua magia criar este ser poderoso. Mas ao invés disso, a magia capturou a essência de uma Dahlia Karín que havia se suicidado por haver perdido suas asas . O avatar se fez na forma de uma criança. Bernikê desapontada, mas ficou com a criança e a criou pois seria um braço a mais para ajudar a cuida da pequena posse de terras que lhe sobrou. Dagura se juntou a ela fingindo amor, mas na realidade era para ficar de olho e cuidar da pequena Sparks/Toquinho. Ao crescer e começar a falar ela chama Dagura de Jeikan provando a ele quem era ela. A menina passa a ter fascinação por pássaros e seres alados, tendo como sonho poder voar.
Ela vive com um par de assas nas costas que ela só tira para dormir. De uma maneira diferente o sonho de Thomorgraussaf se realizou: ele conseguiu fundir sua energia com a energia de uma Dahlia do grande círculo. A medida que a menina crescia o feitiço de ocultação de Bernikê cada vez menos conseguia conter a manisfestação do poder. Ao perceber esta "assinatura de poder" Thomorgraussaf ordena a Baal que a ache e capture, Oracle é colocado em mais essa misssão, fora a que ele já tinha de achar Sifter que havia se perdido no acidente. Sabendo que não conseguiria escondê-la por muito tempo, Dagura resolve mandá-la de volta, reencarnando-a na terra. Ele convoca Semyr para abandonar o grande círculo e protegê-la na terra. Mas na terra não fica mais fácil, pois Luxfero passa a perseguí-la  com seus comandados a  fim de ter a menina como sua aliada na retomada de Wateland. Semyr é considerada uma desertora e passa a ser caçada pelos seus ex-companheiros Dahlias.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Projeto Sparks: Personagens.




Começando os primeiros esboços de Referência do personagem.