Então os dois saíram e foram
caminhando rumo ao cemitério. A noite
estava fria, Circe fechou seu casaco e deu o braço para Anuare-El. Ao passar
por uma vitrine da loja de molduras e vidros na candlemaker row ele viu o
reflexo dos dois de braços dados, ele nesse momento pensou na existência humana
tão desprovida de um senso de universalidade. Tão preocupados apenas com sua
existência sem se preocupar com o mundo em que vivem ou com a guerra diária
entre as forças do cosmo para manter o equilíbrio entre o bem e o mal.
- Você está muito calado. Minha
companhia está agradando meu Lorde? Sorrindo.
-Muito milady, mais do quê você
imagina.
-Hahahaha, o pior é que eu sei o quanto.
Circe foi descendo a rua candlemaker row,
refazendo na realidade o mesmo caminho que Anuare-El fez. Logo estavam em
frente ao Greyfriars Bob´s Bar. Entre o
Bar a Loja de artigos de arte havia um portão que dava acesso ao cemitério, mas
aquela hora da madrugada já estava fechado. Anuarel-El já olhava para os lados
preparando-se para desfazer o encanto da runa e alçar voo por cima dos portões,
quando ela perguntou:
- O que foi? Por que está olhando para
os lados?
- Vou desfazer o encanto e voamos por
cima do portão.
-Calma! Não precisa. Eu tenho a chave.
- Como assim?
-É claro, já te disse, sou cliente
antiga da Maggie. Então nem tudo eu faço com magia meu caro. Esta lição eu
aprendi graças a você.
Enquanto falava ela tirou uma chave do
bolso da jaqueta e abriu o portão. Os dois entraram e ela fechou novamente o
portão.
- Venha é por aqui. Ela disse
puxando-o para uma outra direção.
Eles andaram alguns minutos por dentro
do cemitério que estava iluminado pela luz do luar. Anuare-El ficou espantado
pela quantidade de espectros que ainda vagavam pelo cemitério. Almas que não
encontraram o descanso eterno. Alguns o viam com desconfiança pois seu disfarce
só servia para o mundo dos vivos. Sua asas deixavam alguns espectros
incomodados. Circe por sua vez andava por entre eles como quem estivesse numa
festa entre amigos. Cumprimentava a todos que passem por ela como uma velha
amiga. A caminhada cemitério dentro tinha chegado aonde ela queria.
- Um tumulo? Não entendi.
-Este tumulo redondo e negro pertence a George
Mackenzie.
- E o que você pretende aqui? Indagou confuso.
-Ir para casa.Disse ela enigmaticamente.
Ela destrancou a porta do tumulo, mas
não a abriu, ao invés disso com a ponta do dedo indicador fez um desenho na
porta e recitou o encanto:
- Aperire camminu habilare Kirkê!
Quando ela abriu a porta podia-se ver um aposento iluminado de
relance, ela entrou e como ele não seguiu ela perguntou:
- Então? Vai ficar ai ou vai entrar?
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