sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Whisky

Era só subir a rua e em poucos minutos ele já estava no Pub. Maggie Dickson era um pub tradicional, e ainda nos dia de hoje mantinha uma atmosfera dos velhos tempos. Assim que chegou não foi difícil localizar Circe. Ela já havia trocado a roupa cerimonial por calças jeans justas, boas de cano alto e uma blusa decotada. A jaqueta ela havia deixado nas costas da cadeira.
- Achei que tinha esquecido onde ficava o Pub? Brincou ela.
- Não. E mesmo que quisesse eu te acharia facilmente pela aura que você está emanando.
-Ela está tão irradiante assim?
-Sem dúvida alguma. Pelo visto estas cerimônias de adoração têm feito muito bem a você. Sua aura está tão forte como nos velhos tempos.
- Cavalheiro você não? Me chamando de velha. Sorrindo. Sim está havendo uma volta as tradições antigas. Muitas pessoas que tem sua sensibilidade apurada tem percebido que por mais poderosa que Gaia tenha sido , ela já não está tão forte como antes. Os rituais wicca que são os que posso falar com propriedade (dando uma piscada), têm gerado de certa forma um retorno dessa energia.
- Até entendo este conceito, mas as cerimônias são dirigidas a você e não a Gaia.
-Mas até os deuses fazem sua cerimônias, parte de toda essa energia eu a divido, ou melhor devolvo a Gaia.
Nesse momento o garçom aproximou-se.
- Boa noite, o senhor deseja algo para beber?
-O que você está bebendo Circe?
-Não! Você não pode. Isso é bebida de homem, riu Circe. William traga uma Guiness escura para o meu convidado.
- Sim senhora. E afastou-se.
- A última coisa que eu quero é estragar minha noite com um Dahlia bêbado aprontando alguma das suas destruições.
-Você está exagerando.
-Pode ser, mais não quero me arriscar, sou cliente daqui a muito tempo.
-Desde a fundação. Relembrou Anuare-El.
-Verdade. Fui uma das primeiras clientes. Como os tempos mudaram...
-Não podemos nos apegar ao saudosismo Circe.
Então os dois ficaram em silêncio e naquela fração de segundos, grande parte da História da humanidade passou pela mente dos dois. Inclusive os eventos que quase levaram Circe a ser banida para o mundo dos mortais. Então ele tentou desviar o assunto.
-Achei que você só tomasse Hidromel.
Circe soltou uma gargalhada que chamou a atenção das mesas ao redor, já os clientes antigos não estranharam, pois conheciam a personalidade alegre e descompromissada dela.
- Passei muitos séculos tomando aquilo, ainda bem que inventaram a cerveja e o whisky. Um brinde ao inventor do whisky! Levantou o copo em brinde.
Prontamente seu brinde foi retribuído pelos clientes do Pub. Anuare-El deu um sorriso enquanto o garçom servia sua cerveja. No restante da noite os dois conversaram assuntos os mais triviais possíveis. Possíveis entre uma deusa secular e um Dahlia milenar. Circe não precisava ser Feiticeira para perceber que por mais que Anuare-El estivesse se divertindo, o motivo que o trouxera a procurá-la estava ali, na sua impaciência velada. Conhecendo o Lorde dos Dahlias o assunto que o trouxer ali era sério.
- Bom Anuare-El, essa conversa empoeirada sobre o passado me entediou. E como sei que você não está aqui para isso, seja você mesmo. Direto e reto. Qual o favor que você precisa que eu lhe faça?
- Preciso que você me deixe olhar uma determinada linha temporal. Disse ele diretamente.
- Bom você não muda mesmo. Um grande favor não acha? Indagou Circe
- Sim tenho ciência disso.  Se não fosse importante eu não pediria, tenha certeza disso.
-Não posso fazer isso.
-Por que Circe?
-É um favor muito grande e perigoso. De graça não faço.
-Pois bem Circe. O que você quer em troca?
Ela olhou com um sorriso todo especial. Tinha percebido que seja lá o que Anuare-El queria ver, era de suma importância para o Grande Círculo.
-Tudo há seu tempo Anuare-El. Vamos sair daqui. Will a conta.
Nesse instante Anuare-El percebeu que não tinha dinheiro da daquela época. Ele olhou com uma cara de vergonha para Circe que achou engraçada no Lorde do Grande Círculo.
-Não se preocupe você é meu convidado. Na próxima vez você me convida e paga.
-Assim será. Confirmou.

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