Era só subir a rua e em poucos minutos
ele já estava no Pub. Maggie Dickson era um pub tradicional, e ainda nos dia de
hoje mantinha uma atmosfera dos velhos tempos. Assim que chegou não foi difícil
localizar Circe. Ela já havia trocado a roupa cerimonial por calças jeans
justas, boas de cano alto e uma blusa decotada. A jaqueta ela havia deixado nas
costas da cadeira.
- Achei que tinha esquecido onde
ficava o Pub? Brincou ela.
- Não. E mesmo que quisesse eu te
acharia facilmente pela aura que você está emanando.
-Ela está tão irradiante assim?
-Sem dúvida alguma. Pelo visto estas
cerimônias de adoração têm feito muito bem a você. Sua aura está tão forte como
nos velhos tempos.
- Cavalheiro você não? Me chamando de
velha. Sorrindo. Sim está havendo uma volta as tradições antigas. Muitas
pessoas que tem sua sensibilidade apurada tem percebido que por mais poderosa
que Gaia tenha sido , ela já não está tão forte como antes. Os rituais wicca
que são os que posso falar com propriedade (dando uma piscada), têm gerado de
certa forma um retorno dessa energia.
- Até entendo este conceito, mas as
cerimônias são dirigidas a você e não a Gaia.
-Mas até os deuses fazem sua
cerimônias, parte de toda essa energia eu a divido, ou melhor devolvo a Gaia.
Nesse momento o garçom aproximou-se.
- Boa noite, o senhor deseja algo para
beber?
-O que você está bebendo Circe?
-Não! Você não pode. Isso é bebida de
homem, riu Circe. William traga uma Guiness escura para o meu convidado.
- Sim senhora. E afastou-se.
- A última coisa que eu quero é
estragar minha noite com um Dahlia bêbado aprontando alguma das suas
destruições.
-Você está exagerando.
-Pode ser, mais não quero me arriscar,
sou cliente daqui a muito tempo.
-Desde a fundação. Relembrou
Anuare-El.
-Verdade. Fui uma das primeiras
clientes. Como os tempos mudaram...
-Não podemos nos apegar ao saudosismo
Circe.
Então os dois ficaram em silêncio e
naquela fração de segundos, grande parte da História da humanidade passou pela
mente dos dois. Inclusive os eventos que quase levaram Circe a ser banida para
o mundo dos mortais. Então ele tentou desviar o assunto.
-Achei que você só tomasse Hidromel.
Circe soltou uma gargalhada que chamou
a atenção das mesas ao redor, já os clientes antigos não estranharam, pois
conheciam a personalidade alegre e descompromissada dela.
- Passei muitos séculos tomando aquilo,
ainda bem que inventaram a cerveja e o whisky. Um brinde ao inventor do whisky!
Levantou o copo em brinde.
Prontamente seu brinde foi retribuído
pelos clientes do Pub. Anuare-El deu um sorriso enquanto o garçom servia sua
cerveja. No restante da noite os dois conversaram assuntos os mais triviais
possíveis. Possíveis entre uma deusa secular e um Dahlia milenar. Circe não
precisava ser Feiticeira para perceber que por mais que Anuare-El estivesse se
divertindo, o motivo que o trouxera a procurá-la estava ali, na sua impaciência
velada. Conhecendo o Lorde dos Dahlias o assunto que o trouxer ali era sério.
- Bom Anuare-El, essa conversa
empoeirada sobre o passado me entediou. E como sei que você não está aqui para
isso, seja você mesmo. Direto e reto. Qual o favor que você precisa que eu lhe
faça?
- Preciso que você me deixe olhar uma
determinada linha temporal. Disse ele diretamente.
- Bom você não muda mesmo. Um grande
favor não acha? Indagou Circe
- Sim tenho ciência disso. Se não fosse importante eu não pediria, tenha
certeza disso.
-Não posso fazer isso.
-Por que Circe?
-É um favor muito grande e perigoso.
De graça não faço.
-Pois bem Circe. O que você quer em
troca?
Ela olhou com um sorriso todo
especial. Tinha percebido que seja lá o que Anuare-El queria ver, era de suma
importância para o Grande Círculo.
-Tudo há seu tempo Anuare-El. Vamos
sair daqui. Will a conta.
Nesse instante Anuare-El percebeu que
não tinha dinheiro da daquela época. Ele olhou com uma cara de vergonha para
Circe que achou engraçada no Lorde do Grande Círculo.
-Não se preocupe você é meu convidado.
Na próxima vez você me convida e paga.
-Assim será. Confirmou.

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