- Estamos no que há muito tempo era meu templo a ilha de Eana. Hoje
nos dias atuais Eana não é mais uma ilha e sim o que se chama de promontório,
uma cabo que avança mais a dentro. A sua volta foi criado um Parque Nacional,
uma área de preservação ambiental. Pois bem, Hoje Eana se chama Monte Circeo.
Uma homenagem a minha pessoa, fazendo uma reverência com a cabeça e depois
levantando a taça de metal como sinal de um brinde. Porém eu mantive intacto em
outra dimensão tudo isso que você vê aqui. No mundo real só existe ruínas desse
templo. Para que eu possa transitar entre as duas dimensões, eu uso como você
viu um portal no tumulo do George Mackensie. Por ser no cemitério há muita
energia ali.
- E como você faz aquele feitiço? Que palavras são aquelas? Perguntou
interessado.
- Por que todo esse interesse? Está querendo se candidatar a ser meu
aprendiz?
- Não, rindo, é que me lembrou de um feitiço antigo, que certa pessoa
fez uma vez.
- Bom não gosto de me lembrar daquilo. Péssimo momento para mim.
- Desculpe então Circe.
- Tudo bem meu Dahlia.
Ela fez uma pausa, tomou mais um gole e se fez silêncio por alguns
minutos, mas logo foi substituído pelo seu largo sorriso, marca registrada de
Circe.
-Pois bem. As palavras têm poder. Mas não as palavras com suas
adaptações e corruptelas. Digo ao nome original das coisas. Tudo teve seu
primeiro nome desde a criação. São essas palavras originais a chamada língua da
magia.
- Entendo “Kirkê”. Exemplificou.
- Isso mesmo! Sua primeira lição está completa aprendiz. Riu enquanto
tomava o último gole.
-Obrigado Circe, mas não levo jeito para isso.
- Bom vamos para a minha sala de magia, lá fica meu espelho. Venha
apresse-se! Antes que a aurora passe.
Anuar-El a seguiu rumo a outra porta do quarto. Ela colocou a mão na
maçaneta e se deteve por alguns segundos, virou-se e olhou nos olhos dele, sua
fisionomia estava alterada. O jeito alegre deu lugar a uma seriedade que
Anuar-El conhecia.
-Você tem certeza do que está me pedindo para fazer? Está ciente que a
partir do momento que interferir nos acontecimentos para que eles não ocorram,
passa a ser “sua” responsabilidade as consequências das mudanças que você vai
fazer.
- Quem disse que eu vou mudar alguma coisa?
- Eu te conheço meu Dahlia, para você estar aqui me pedindo isso, você
apenas quer ter certeza onde na linha temporal você irá alterar.
- Talvez eu não precise...
- É talvez não. Já entendi sua resposta. Venha.

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